[sábado, 22 de março de 2008]
"Escute... às vezes a vida exige uma mudança... uma transição... como as estações... nossa primavera foi maravilhosa, mas o verão terminou e deixamos passar o nosso outono... e agora, de repente, faz frio, tanto frio que tudo se congela... nosso amor dormiu e a neve o pegou de surpresa... e se dormimos na neve... se dormimos na neve... não sentimos a morte vir... se cuida" Faubourg - Saint-Dennis (Paris, te amo)
amo Paris... acho perfeita... não quero passear por lá... não não... muito clichê isso... quero me instalar em qualquer lugar alugar um buraco e fugir do mundo... sim sim... passar uns dois meses em um quarto... lá em Paris... a cidade inspira... levo minha máquina de datilografar e começo meu livro... e vou sim... vou fazer isso... será minha "loucura pós formatura"... nada de festas... nada de colação de grau... quando eu me formar vou para Paris... escrever meu livro... sumir do mundo... e ser feliz... no meu mundo... só meu... onde não há muito espaço para rejeição... onde tudo se dá de forma harmônica... eu me conheço... eu me entendo... me darei bem consigo mesmo... e irei... quando os dedos cansarem... me agasalho e vou caminhar... conhecer os lugares... nada melhor que caminhar... sem pressa... sem destino... apenas andar... e conhecer os lugares... nada de excursões... quero sentir Paris... suas ruas pulsando... isso sim... isso sim irá com certeza me inspirar... e dps de terminar de escrevê-lo volto para vida normal... absorto da minha viagem... não só material... mas uma viagem que me tirou a cabeça do lugar... será tempo de relembrar... relembrar tudo... infância... passado... vitórias... fracassos... destino... gosta de me pregar umas boas peças... mas o otimismo nunca cessa... sabe quando vc perde... a partida acaba... e vc ainda fica lá... como se ainda houvesse tempo de fazer algo?? como se ainda fosse possível ganhar... mas vc no fundo... no fundo sabe que perdeu... "a aceitação é o primeiro passo para a transformação"... mas não... não... nada de aceitar nada... não quero me transformar... quero ser o mesmo... e quero o que quero... e nada me tirará isso da cabeça... o destino não trouxe??? agora ele que trate de trazer de volta... ele que acabe tudo que começou... pq eu tenho feito minha parte... mais até do que deveria.. então Sr. Destino... não me trouxe??? então deixa comigo... trazer... me iludir e levar embora... não é uma opção... não mesmo... desistir... e até que desistir seria mais fácil... mas não.. não tenho motivos para desistir... "tudo foi um engano"... sinto cheiro de mentira a quilômetros de distância... "désolé" senhorita... não achas que vai tornar as coisas fáceis apenas fugindo... "désolé"... mas fui pego de surpresa... e sinto um frio no peito... e o melhor não tenho medo... sonho... e sonhei nas alturas... medo... e eu não tinha medo de cair... muito embora eu sempre tivesse medo de altura... talvez eu esteja lutando com meus medos... e viva às interprestações... e viva a vida injusta... "la vie n'est pas juste"... nunca foi... nem nunca será... mas eu jogo limpo... nada nas mangas... nada... nem um "às de copas" muito embora eu esteja tomado pelo "copas" e embora... embora isto tudo que escrevo... apenas faça sentido pra mim... pouco importa... continuemos com as palavras... que muito tentam dizer... mas sempre se perde algo... algo sempre escapa dos dedos e fica no ar... angústia... e não consigo escrever tudo... pensar... e eu penso mais rápido que meus dedos conseguem escrever... Paris... e tomara que Paris me faça pensar lento... mas de forma constante... passado... e tomara que todo o passado não me tire de Paris... e me faça ficar lembrando... lembrando de tudo... dores... felicidades... tudo que eu gostaria de estar insento... mas como escrever um livro sem deixar as experiências anteriores influenciarem? como? nem sei... nem sei... talvez seja preciso... mas tomara que não me deixe pensando... revivendo o passado... talvez uma ânsia produtiva me impeça nos primeiros dias... mas sei que logo estarei escrevendo... logo... tão logo me sinta habituado... escrever... e escrever me faz sentir bem... às vezes seria melhor ficar na cama... me unir a ela... grudar... fundir... fugir... sim... fugir... mas resolvi me levantar... escrever... falar coisas sem sentido... encher páginas de vazio... do meu vazio... ontem... e ontem... tudo que fiz foi falar verdades... exprimir sentimentos... talvez afastar mais ainda... um pássaro raro... daqueles que o canto encanta... daqueles que vc sabe que quer pra si... mas não adianta pegar uma gaiola e colocá-lo dentro... é preciso que ele queira estar junto a ti... para que seu canto seja um canto feliz... um canto de pássaro livre... e não um canto de um pássaro engaiolado que não mais será livre... por isso abro minhas mãos... e deixo o pássaro ir... talvez ele volte... talvez queira cantar pra mim... pássaro lindo... de canto lindo... mas de jeito difícil... de temperamento instável... hj não mais canta pra mim... eu gostava qdo ele cantava... e tudo que faço hj... eh vê-lo voar... voar ao alto... voar longe... e junto com ele... minha felicidade... e agora o único canto que ouço... é o canto de antes... através de memórias... memórias parcas... distorcidas... que não conseguem reproduzir o canto... não... não conseguem... texto longo... texto estranho... quem precisa de sentido... se o que eu sinto... só eu sinto... apenas não desisto... não desisto do canto do pássaro... apenas continuo esperando... o pássaro voltar... esperança tola... mas que mantenho viva... enquanto o que eu sentir... ainda estiver... vivo... vivo... dentro de mim!
postado por thiago** em algum momento de sanidade às 09:51
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